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Firmina #2 - Censura do governo contra artistas volta a se intensificar

Firmina
Firmina #2 - Censura do governo contra artistas volta a se intensificar
Por Nonada Jornalismo • Edição Nº4 • Ver na web
Mais do que uma cortina de fumaça, a censura contra a arte vem impactando centenas de trabalhadores da cultura especialmente desde 2018. São músicos, grupos de teatro, artistas visuais, produtores e técnicos que, além de terem obras destruídas e eventos interrompidos, ainda sofrem ameaças de morte nas redes sociais, ataques que são muitas vezes incentivados por figuras públicas. 
Por isso, na edição da Firmina desta semana a gente quer fazer um alerta: a censura contra os artistas não é mera estratégia de distração, ela é política. Como contamos nesta edição, o poder Executivo voltou a atacar os artistas esta semana. Precisamos estar alertas.
Lembrando que a Firmina aceita contribuições lá no Catarse.me/nonada!
Boa leitura e se cuidem,
Thaís Seganfredo
editora

Liberdade educacional
  • Mais um ato de censura que vem direto da caneta de um prefeito. Em Sinop (MT), a Câmara de Vereadores aprovou e o prefeito Roberto Dorner (Republicanos)  sancionou uma lei que proíbe qualquer manifestação sobre direitos sexuais e questões de gênero em escolas e locais públicos. Quem contou foi a jornalista Carol Pires no twitter. O artigo 1ª é tenebroso: “Fica proibida a distribuição, utilização, exposição, apresentação, recomendação, indicação e divulgação de livros, publicações, palestras, folders, cartazes, filmes, vídeos, faixas ou qualquer tipo de material, lúdico, didático ou paradidático, físico ou digital contendo manifestação ou mensagem subliminar da ideologia de gênero, nos locais públicos, privados de acesso ao público e entidades de ensino no município de Sinop.“ O Ministério Público disse à Folha de S.Paulo que ainda está analisando o caso.
  • O professor de artes William Quintal foi demitido de uma escola particular em Belo Horizonte por usar linguagem neutra nos vídeos do seu canal do youtube. O caso ocorreu em fevereiro, mas veio à tona nesta quarta-feira (16). O professor contou à Revista Fórum que indicou um vídeo seu aos alunos, onde cumprimenta os espectadores com a expressão “bem-vindes”. Nos dias seguintes, vários pais fizeram pressão pela demissão do educador, que lecionava na Escola Santo Agostinho. O pedido foi atendido na metade de fevereiro. “ A demissão, no papel, não foi nada demais, mas a motivação foi criminosa, foi discriminatória e teve motivação ideológica desses grupos radicais”, declarou o professor à Fórum.
Liberdade artística
Obra Trópicos, da artista Elis Pinto (reprodução)
Obra Trópicos, da artista Elis Pinto (reprodução)
  • A artista visual Elis Pinto foi censurada pela prefeitura de Nova Friburgo no Dia Internacional da Mulher. Ela contou nas redes sociais que uma obra sua, um nu feminino inspirado na Vênus de Milo, teve que ser retirada de uma exposição porque o prefeito Johnny Maycon (Republicanos), que é também pastor evangélico, achou a arte muito “ousada”. Relato completo no Observatório de Censura à Arte.
  • O governo Federal voltou a censurar diretamente um artista nesta semana, quanto o Ministério da Justiça determinou às plataformas de streaming que removessem o filme “Como se tornar o pior aluno da escola”, do humorista Danilo Gentili. Em um trecho do longa que viralizou, o vilão, interpretado por Fábio Porchat, seduz dois menores de idade, o que fez com que políticos bolsonaristas acusassem o filme de apologia à pedofilia. Como explicou Porchat em entrevista, a cena é uma crítica, uma vez que é protagonizada pelo vilão. Nesta quarta-feira (16), após as plataformas descumprirem a censura, o Ministério da Justiça mudou a classificação indicativa do filme de 14 para 18 anos. 
Liberdade religiosa
  • A vereadora de Niterói (RJ) Benny Briolly sofreu racismo religioso durante votação da Câmara  de Vereadores no dia 10 de março. Ao discursar no plenário, teve sua fala interrompida por gritos como ‘demônio’ e ‘tá repreendido’. “Além disso, fui ameaçada e tive que sair do plenário. A branquitude busca silenciar nossas divindades africanas e esse Projeto de lei é justamente para transformar essa perspectiva racista religiosa”, ela contou no twitter. Na hora, os parlamentares estavam votando o PL que instituiria o dia 12 de novembro como dia de Maria Mulambo, protetora de Niterói. O projeto foi retirado da pauta. 
Liberdade de expressão
  • A Ajor, associação à qual somos associados, divulgou nota manifestando posição contrária à PL das Fake News. A entidade “vê com preocupação alguns possíveis efeitos desse dispositivo da forma como está colocado”. Leia a nota aqui.
  • Será lançada na semana que vem a associação Tornavoz, entidade que vai trabalhar para garantir defesa jurídica especializada a jornalistas, comunicadores e profissionais que sofreram violação de sua liberdade de expressão. No dia 22 de março, o Tornavoz promove a mesa “Ódio, discurso e o direito” dentro do Festival 3i, organizado pela Ajor. Mais informações sobre o painel.
Aspas da semana
“Em nome de ‘Deus’, guerras, destruições, assassinatos foram perpetuadas por muito tempo e ainda são. Até quando nós demoraremos a compreender que o sagrado está em nós e está no outro? Respeite o meu terreiro”. 
Babá Marcio de Jagun, na campanha Respeite o Meu Terreiro.
Extra
Esta semana, temos uma matéria sobre aquecimento global e patrimônio histórico lá no Nonada, além de uma entrevista com a Nduduzo Silva, artista sul-africana que luta para não ser expulsa do Brasil pelo Ministério da Justiça. 
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