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Firmina #3 - A farra não tem fim no primeiro escalão do governo

Firmina
Firmina #3 - A farra não tem fim no primeiro escalão do governo
Por Nonada Jornalismo • Edição Nº5 • Ver na web
O que mais falta o primeiro escalão do governo Bolsonaro fazer para suas ações serem avaliadas pelas instituições? Essa pergunta está assombrando nossa redação. Afinal, faz tempo que acompanhamos os secretários da cultura deitarem e rolarem na pasta, uma vez que até a linguagem neutra eles conseguiram censurar sem nenhuma reversão jurídica por enquanto. E o assunto da semana, a confissão do ministro da Educação de que favorece pastores evangélicos, já teria passado do limite em uma democracia consolidada. Até quando?
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Boa leitura e se cuidem,
Thaís Seganfredo
editora

Liberdade artística
O MOBILE (Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística) apresentou nesta semana um levantamento atualizado que chama a atenção para a escalada de casos de censura e ataque à cultura no Brasil, principalmente a partir de 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro. São mais de 200 casos identificados pela organização. 
  • As artes plásticas e visuais contabilizam quase 17% dos registros. Audiovisual (15,79%) e música (11%) aparecem logo em seguida na lista de setores mais atingidos. São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul lideram o ranking de estados onde o autoritarismo no campo da cultura e das artes ganhou espaço. As críticas e os posicionamentos políticos, afirmações identitárias e a orientação estão entre as principais motivações para a censura.
Repercutindo a censura ao filme “Como se tornar o pior aluno da escola”, a juíza Daniela Berwanger Martins, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, determinou na quarta-feira (23) que o governo federal se manifeste em até 48 horas a respeito da decisão que censurou a produção, encabeçada por Danilo Gentili e Fábio Porchat, segundo informações do jornal O Globo.
Liberdade educacional
  • Entidades de classe estão repercutindo a notícia de que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirma que o governo federal prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados por dois pastores que não têm cargo no Ministério da Educação. 
O comitê diretivo da  Campanha Nacional pelo Direito à Educação lançou uma nota em seu site, afirmando que a “aplicação de recursos precisa ter critérios e processos transparentes, e não estar sujeita a barganhas políticas”. A organização Todos pela Educação também lançou um posicionamento, “do ponto de vista ético, é um ultraje que recursos educacionais tão necessários para a  Educação, profundamente impactada por quase dois anos de fechamento das escolas durante a pandemia, sejam utilizados indevidamente, servindo a objetivos eleitoreiros do presidente da república”.
Liberdade religiosa
  • O G1 da Bahia noticiou que um pastor e uma integrante de um terreiro localizado em Eunápolis foram indiciados pela polícia civil na última semana. Os dois vão responder em liberdade por contravenção. No entanto, apenas os integrantes do terreiro prestaram queixa na polícia, denunciando um caso de racismo religioso de um grupo de evangélicos contra eles.  Na ocasião, segundo a denúncia, um pastor puxou o cabelo da praticante, que em seguida empurrou um membro do grupo evangélico. Os membros do terreiro relataram que sofreram ataques por dois dias seguidos antes de encaminhar o caso à polícia. 
  • A Religião e Poder é uma plataforma que oferece dados abertos, artigos, pesquisas, reportagens e referências bibliográficas sobre a interface da religião com a política institucional no Brasil. Na quarta-feira (23), foi publicado no site o artigo Racismo Religioso, da doutora em sociologia e pesquisadora Carolina Rocha. Nele, a autora responde uma série de indagações sobre o que é racismo religioso, as suas origens, por que os religiosos de matriz africana são as principais vítimas e outros tópicos importantes. 
Liberdade de expressão
  • A Associação Brasileira de Emissoras e TV (Abert) divulgou relatório em que foram mapeados 145 casos de violações à liberdade de imprensa em 2021. Além disso, pela primeira vez em 20 anos o Brasil passou para a chamada “zona vermelha” do Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa da Repórteres sem Fronteiras (RSF).
  • Foi lançado nesta quarta-feira (23), durante a programação do Festival 3i, o Instituto Tornavoz, entidade que pretende ajudar na defesa jurídica de jornalistas, comunicadores e artistas que estejam sofrendo assédio judicial. Será dada prioridade a casos que envolvam temáticas ligadas a grupos historicamente marginalizados, tais como, mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, que estejam afastadas de grandes centros, e a veículos que se dediquem a tais temáticas ou tenham atuação local/regional. Mais informações aqui.
Aspas da semana
Pastor pedindo ouro para liberar verba para Educação. Para ficar mais desenhado do que isso, só se o ouro estivesse na forma de um bezerro.”. 
@carloshotta, cientista na USP.
Curadoria
Nossa indicação cultural de hoje é “Mordaça”, livro de João Pimentel e Zé Mcgill que traz um denso histórico da censura aos artistas no Brasil. A obra reúne alguns dos casos mais emblemáticos sobre o incessante embate entre música e censura, arte e autoritarismo, no Brasil. Escrito a partir de depoimentos exclusivos de alguns dos nomes mais importantes da música brasileira, colhidos pelos autores entre 2018 e 2021.
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