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Firmina #4 - “Capoeira gospel” e os ecos da censura ao Lollapalooza

Firmina
Firmina #4 - “Capoeira gospel” e os ecos da censura ao Lollapalooza
Por Nonada Jornalismo • Edição Nº6 • Ver na web
Mais uma edição da Firmina chegando, infelizmente recheada de assuntos pra gente abordar. Tem censura no festival Lollapalooza, escândalo no MEC, ataque a mais um terreiro e também uma notícia que publicamos no Nonada sobre a apropriação que grupos evangélicos têm realizado sobre rodas de capoeira. Nós contamos que esses grupos, principalmente em estados do Norte, têm promovido rodas, mas proibindo expressões afrobrasileiras tradicionais e inerentes à filosofia que acompanha a capoeira, patrimônio cultural do Brasil. 
Lembrando que recebemos denúncias, críticas, sugestões e dúvidas pelo email firmina@nonada.com.br
Um abraço e boa leitura,
Thaís Seganfredo
editora

Liberdade artística
  • Rescaldos da censura ao Lollapalooza: embora a atuação tenha sido individual, não podemos minimizar a decisão do ministro do TSE Raul Araújo, que pegou o Brasil de surpresa na manhã de domingo (27). O ministro resolveu que os artistas (que também são cidadãos) que participavam do festival de música não poderiam se manifestar contra o presidente Jair Bolsonaro. Como ainda estamos em uma democracia, é claro que a decisão foi descumprida, até mesmo porque nenhum artista foi oficialmente notificado sobre a censura. Mas, na história recente do Brasil, essa não foi a primeira vez que o Judiciário decidiu proibir um artista de fazer seu trabalho. Quem se lembra da peça O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu? Felizmente, decisões individuais têm sido revertidas a favor da democracia pelos colegiados superiores. A decisão do ministro, aliás, pegou tão mal que ele mesmo a revogou, justificando que tinha entendido que o festival estava fazendo uma ostensiva campanha política. Ao que parece, o magistrado interpretou errado as provas que recebeu do PL, se é que houve alguma.
  • O escritor Jeferson Tenório recebeu ameaças de morte após ter sido convidado para uma palestra em uma escola particular na Bahia. Ele recebeu mensagens virtuais racistas que também menosprezam seu trabalho e o recebimento do Prêmio Jabuti que ele ganhou em 2021. “Decidi tornar estas ameaças públicas para me proteger e também para que estas pessoas saibam que elas não podem cometer esses crimes e acharem que tudo ficará por isso mesmo. Não ficará. Os boletins de ocorrência já foram feitos, todos os prints já foram encaminhados à polícia da Bahia, assim como todas as medidas judiciais estão sendo tomadas”, escreveu em seu Instagram no último sábado (26). Essa não foi a primeira vez que o escritor foi ameaçado, no ano passado também sofreu ataques depois de publicar uma coluna de jornal.
Liberdade religiosa
Vale dos Orixás antes da destruição (Foto: Cleon Homar/reprodução)
Vale dos Orixás antes da destruição (Foto: Cleon Homar/reprodução)
  • Mais um terreiro foi atacado no Brasil, desta vez no Distrito Federal. O ataque ocorreu no dia 23 de março, quando um homem, portando um facão, invadiu o terreiro Ilê Axé Omò Orã Xaxará de Prata/Ofa de Prata, na cidade de Planaltina, e destruiu várias esculturas de orixás. O Brasil de Fato noticiou o ataque e apurou, que só em 2021, 22 casos de intolerância religiosa foram registrados no DF, segundo a Secretaria de Segurança Pública.  
  • “Capoeira gospel”: Um parecer publicado pelo Iphan revela diversas denúncias de censura e apagamento que mestres e mestras têm sofrido em diversos estados do Brasil, em especial no norte e nordeste. Alguns relatos contam sobre grupos evangélicos que promovem rodas de capoeira e proíbem cantos africanos. Em Ji-Paraná (RO), o prefeito-pastor não permite rodas de capoeira nas praças da cidade. Matéria completa lá no Nonada.
Liberdade educacional
  • Servidores da educação realizaram ato no Ministério da Educação na terça-feira (29) exigindo investigação do presidente Jair Bolsonaro no caso envolvendo o ex-ministro Milton Ribeiro. No ato, organizado por entidades de classe, os manifestantes seguravam barras de  ouro e notas de dinheiro falsas em protesto. O Congresso em Foco fez uma matéria relembrando o “legado” do ministro. 
  • Um professor ficou ferido após ser agredido em uma manifestação em Belo Horizonte na última sexta (25). Servidores da área denunciaram em vídeo ao Portal G1 a agressão, que, segundo os professores,  partiu de integrantes da guarda municipal. 
  • Pra ficar de olho 1: Na Flórida, parlamentares aprovaram uma lei que proíbe questões de gênero e orientação sexual de serem abordados nas escolas. (DW)
  • Pra ficar de olho 2: Noticiamos na Firmina #2 sobre a lei que o prefeito de Sinop (MT) sancionou lei proibindo questões de gênero em escolas e outros espaços públicos da cidade. O Ministério Público entrou com ação na Justiça questionando a medida. 
Liberdade de expressão
  • O Núcleo mostra nesta matéria como o twitter permite que pessoas façam denúncias em nome de qualquer usuário da rede. O caso veio à tona depois que muita gente relatou ter recebido a resposta de denúncias (que nunca fizeram) contra a Sleeping Giants BR.
Aspas da semana
“É revoltante que haja sugestão de punição a um festival de música porque um artista manifestou sua opinião política. Pabllo Vittar é ponto luminoso na cena brasileira e a constituição não proíbe espontâneas manifestações públicas de opinião. Gosto de Pabllo e de Lula, mas defenderia qualquer artista que externasse sua preferência política, mesmo que fosse oposta à minha, diante de uma multidão como a que frequenta o Lollapalooza. Por que tomar isso como showmício ou campanha antecipada? Que essa ação de um membro do TSE vá logo ao plenário e a constituição seja respeitada. #CensuraNuncaMais #lollalivre” 
Extra
8 relatos de vítimas da ditadura militar no Brasil: Para nunca esquecermos os horrores da ditadura, editamos e publicamos oito relatos de vítimas que depuseram na Comissão Nacional da Verdade. São depoimentos de estudantes, professores, militares, operários, envolvidos ou não com os grupos da luta armada que se formaram principalmente após o endurecimento do golpe, com o Ato Institucional Nº 5. Matéria do acervo do Nonada. Leia aqui.
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