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Firmina #6 - Ato marca a revolta pelo assassinato de candomblecista no Pará

Firmina
Firmina #6 - Ato marca a revolta pelo assassinato de candomblecista no Pará
Por Nonada Jornalismo • Edição Nº8 • Ver na web
Oi, pessoal, tudo bem? O destaque da Firmina esta semana é o assassinato de Vinicius Gonçalves (Taata Kimbelenkosi), candomblecista que foi morto a sangue-frio quando saía de um terreiro em Belém do Pará. Ele não tinha nenhuma desavença e a suspeita dos amigos é que o racismo religioso foi a causa da execução.
Hoje também tem entrevista que fizemos no Nonada com o historiador Luiz Antonio Simas, sobre o cerceamento histórico ao carnaval e o direito à folia. 
Lembrando que a Firmina tem campanha de financiamento coletivo no catarse.me/nonada
Um abraço e se cuidem,
Thaís Seganfredo e Rafael Gloria
editores

Liberdade religiosa
(Cícero Pedrosa/Amazônia Real)
(Cícero Pedrosa/Amazônia Real)
  • Nesta segunda-feira, praticantes de religiões de matriz africana fizeram um ato em protesto ao assassinato de Vinicius Gonçalves. Ele foi morto a tiros em Belém do Pará no dia 20 de março, quando saía de um festejo em um terreiro na companhia de um amigo, testemunha do caso. Pessoas próximas acreditam que o assassinato foi em decorrência de racismo religioso, uma vez que Vinicius não tinha desavenças. O Amazônia Real denunciou o caso e denunciou também a cobertura sensacionalista da RedeTV. 
  • Uma imagem de Exu foi completamente destruída no Ilê Omo Agboulá, terreiro localizado na ilha de Itaparica, na Bahia. O ataque foi denunciado na delegacia e no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). (A Tarde)
  • Um pai de santo denunciou que sofreu racismo religioso em um cemitério da zona norte do Rio de Janeiro no dia 4 de abril. Ele presidia um ritual religioso quando um funcionário da administradora do cemitério interrompeu a cerimônia, afirmando que não eram permitidos animais no local. “Perguntei que animais? E expliquei que só tinha um bicho, e que isso faz parte do ritual. Ele disse que eu não iria fazer”, relatou o pai de santo. (Extra/Yahoo)
Liberdade artística
  • Foi lançado nesta semana o livro “Diálogos Impertinentes: Arte e Censura no Modernismo Brasileiro”, dos autores Maria Cristina Castilho Costa e Walter de Sousa Junior. Eles são pesquisadores ligados ao Observatório de Comunicação, Liberdade e Expressão, da USP.  O livro é uma homenagem a essa geração transgressora de vários artistas que se encontraram no modernismo e ajudaram a expandir a cultura brasileira. A obra pode ser adquirida no formato digital de modo gratuito aqui. Aliás, a professora Cristina já foi entrevistada para a nossa revista
  • Em relatório preliminar divulgado no dia 11 pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, o relator especial da ONU Clément Nyaletsossi Voule escreveu que “os meios de comunicação, jornalistas, artistas e outros profissionais da comunicação especialmente mulheres e LGBTQI+, têm sido alvo de violência física e psicológica, inclusive no ambiente virtual". A informação vem dos nossos parceiros do Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística (MOBILE). O especialista desembarcou no Brasil a fim de monitorar as violações de direitos humanos e liberdades fundamentais no país. O objetivo é elaborar um documento final a ser entregue ao governo federal e a outras instâncias da ONU em 2023. Voule também frisou em seu relatório preliminar que o governo deve proteger candidatos e candidatas de quaisquer ameaças ou ataques online e offline durante as eleições. Ficaremos atentos.
Liberdade educacional
  • Em Brasília, acontece até o dia 14, o Acampamento Terra Livre (ATL) que reúne mais de sete mil indígenas de 200 povos diferentes marchando pela demarcação de territórios. Entre as reivindicações também há a questão da educação indígena. Uma matéria do portal UOL traz alguns dos coletivos que reivindicam essa pauta, como o Meninas na Luta, que foi implementado pela Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ) com apoio do Fundo Malala, e abrange 47 meninas entre 13 e 24 anos de nove povos indígenas da Bahia - Kaimbé, Kiriri, Pankararé, Pataxó, Pataxó HãHãHai, Tupinambá, Tumbalalá, Tuxá e Tuxi. O objetivo do grupo é promover o acesso e a qualidade do ensino secundário para meninas indígenas no Estado da Bahia.
Liberdade de expressão
  • Em Porto Alegre, o Jornal Já, veículo independente que existe há mais de trinta anos, foi condenado a pagar R$ 32 mil reais de indenização por danos morais ao empresário Luiz Henrique Sanfelice. Segundo notícia da própria publicação, o motivo da condenação foi a publicação da reportagem “Ela foi queimada viva”, de Renan Antunes de Oliveira, que teve por base na sessão do júri em que Sanfelice foi condenado a  20 anos de prisão por ter assassinado sua mulher,  a jornalista Beatriz Rodrigues de Oliveira, de 43 anos  e tentado ocultar o crime queimando o corpo no carro.  Até quando vão continuar processando jornalistas por exercerem a sua profissão? 
Aspas da semana
“O poder público é um agente, em larga medida, na maioria das vezes (exceções confirmam a regra), de produção incessante de desencanto nas cidades. O Brasil sempre viveu um embate entre um país que se pretende ocidental, de recorte europeu, civilizado, ligado ao imaginário da tradicional família cristã, e um Brasil que pulsa nas brechas desse muro de exclusão, um Brasil que reconstrói nas frestas esse sentido de vida.”
Luiz Antonio Simas, em entrevista ao Nonada
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