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Firmina #8 - Laroyê! Exu abre os caminhos para a vitória da liberdade religiosa no carnaval

Firmina
Firmina #8 - Laroyê! Exu abre os caminhos para a vitória da liberdade religiosa no carnaval
Por Nonada Jornalismo • Edição Nº10 • Ver na web
Oi, pessoal! Hoje estamos meio monotemáticos na Firmina desta edição. Vamos falar bastante da Grande Rio, escola de samba vencedora do carnaval do Rio de Janeiro este ano que transpôs Exu em forma e conteúdo para a Sapucaí. Laroyê!
Lembrando que a Firmina tem campanha de financiamento coletivo no catarse.me/nonada
Um abraço,
Thaís Seganfredo
editora

Liberdade religiosa
Comissão de Frente da Grande Rio (Gabriel Monteiro/Riotur)
Comissão de Frente da Grande Rio (Gabriel Monteiro/Riotur)
  • Quem viu o desfile da Grande Rio presenciou um momento histórico na cultura brasileira. Isso porque a escola de samba uniu despacho, poesia e arte numa verdadeira catarse. Se o carnaval é poesia, o que a escola fez foi uma obra-prima, um cânone já considerado por especialistas como Luiz Antonio Simas como um dos desfiles mais marcantes nos últimos 40 anos. Acontece que, ao propor um enredo sobre Exu, a escola não apenas abordou o orixá no conteúdo mas também na linguagem do Carnaval: teve batuque na bateria, dança pra Exu no casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, teve festa e teve muita energia se movimentando através dos carros alegóricos! Claro, sem falar na desmistificação do estereótipo que Exu sofre no senso comum aqui no Brasil.
  • E os orixás foram tema constante nesse carnaval, aparecendo também em escolas como a Mocidade Independente de Padre Miguel, que falou de Oxóssi, e a Mancha Verde em São Paulo, que trouxe Yemanjá pra avenida. A Salgueiro, no Rio, falou de resistência e também trouxe a liberdade religiosa como um símbolo de seu enredo. Foi histórico!
  • Voltando aos casos de violência fora da arte, uma imagem de São Jorge/Ogum foi encontrada destruída em uma praça pública de Irajá, zona norte do Rio de Janeiro, no dia 25 de abril. Testemunhas relataram ao Extra que viram um homem branco destruindo a imagem, além de vandalizar flores e velas. 
  • Na mesma semana, integrantes do Ilê Axé Otá Olé, do Maranhão, foram atacados verbalmente por membros de uma igreja evangélica que fica na frente da casa. Um vídeo captou todo o absurdo.
Liberdade educacional
  • Na cidade de Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, um professor do ensino médio sofreu ameaças por relacionar o consumo de carne e arroz ao efeito estufa - um fato cientificamente comprovado. A informação é do Jornal ExtraClasse. Segundo a matéria, o caso teve origem a partir de um estudante cuja família é ligada ao sindicato rural da região. Ele enviou as fotos do quadro em que o professor lecionava para o pai, o que teria gerado comoção entre produtores rurais, que procuraram o dono da escola. Há áudios que circularam em grupos de WhatsApp que defendem, inclusive, o uso de violência. O professor alega que foi ridicularizado publicamente sem que ninguém da escola o defendesse na mesma medida em que foi exposto e que uma questão sem maior importância ganhou um viés ideológico nas redes sociais, que não houve na sua aula. 
  • O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) publicou esta semana o estudo “Novas formas de trabalhar, novos modos de adoecer”, realizado com mais de 700 profissionais da educação. Com viés qualitativo, a pesquisa concluiu que ansiedade, depressão e desesperança estão entre os distúrbios que acometem os professores. Saiba mais aqui.
Liberdade artística
  • O Ministério Público Federal abriu um inquérito para investigar uma suposta censura a peças de teatro na Funarte (Fundação Nacional das Artes), em São Paulo. Segundo documento publicado no último dia 19, a direção da fundação vetou determinados projetos e alterou o processo de seleção de companhias ou grupos de teatro interessadas em se apresentar naquele espaço. Os nomes dos espetáculos não foram divulgados. A Funarte tem dez dias para esclarecer a situação. (Folha de São Paulo). 
Aspas da semana
“Macumbeiros, estamos vendo a maior gira de Exu da história!”
@AnarcoFino, Ogã de Ogum, Doutor em Antropologia Social (UFRJ)
Curadoria
Vale a pena ver muitas vezes o desfile da Grande Rio! Assista aqui. 
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